O que o Rock tem a ver com a inovação?

Surgido nos anos 1950 a partir do blues e country music, o Rock permanece até hoje como um dos mais importantes estilos de música popular. Os clássicos do Rock continuam relevantes, e o estilo permanece se reinventando e se conectando com novas tendências. Esta capacidade de evoluir e conquistar as novas gerações através de uma música simples e flexível mostra a capacidade de inovação do Rock e nos oferece importantes lições.

Conexões

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“Poderia confiar fortemente em equipamentos eletrônicos, tapes. Eu tenho a visão de uma pessoa com muitas máquinas, tapes, aparelhos eletrônicos cantando ou falando e usando máquinas.” – Jim Morrison sobre o futuro da música

Um estilo musical completamente diferente de tudo o que já se ouviu não surge do dia para a noite. A evolução do Rock foi feita através de conexões, e estas conexões são incrementais. Apesar de se mostrar um visionário e prever o futuro da música, Jim Morrison nunca conseguiria fazer nos anos 60 a música eletrônica que conhecemos hoje. Nem a inovação disruptiva ocorre em grandes saltos, e sim através de conexões inesperadas. Foi assim que surgiu o Rock’n’Roll, através de uma conexão do blues elétrico com a country music. E foi assim que surgiu o Reggae, com a influência das rádios americanas de Rhythm and Blues cujas ondas alcançavam a Jamaica, que foi conectado ao Calypso, ritmo caribenho, gerando um estilo nunca antes ouvido. E até hoje é assim, novos estilos surgem com novas e inesperadas conexões. A diferença é que as conexões nunca foram tão rápidas quanto hoje. O acesso à informação nunca foi tão fácil, e há uma oportunidade inédita de geração de inovação.

Recomendação: busque conexões inesperadas. Aproveite o fácil acesso à informação e às tecnologias, pesquise e navegue em diferentes áreas de conhecimento.

Experimentação

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“Eu costumava tocar os riffs, as posições e o gancho, e o Mick preenchia os espaços. (…) Eu já lhe dei o riff, garoto. É sua vez agora. Preencha e enquanto isso eu tento e apareço com outro. (…) Dê-lhe a ideia e ele vai em frente com ela.” – Keith Richards sobre o processo de composição dos Stones

Este é o processo criativo dos Rolling Stones: eles se reúnem em um estúdio com uma visão inicial e algumas ideias brutas de canções e riffs de guitarra, experimentam o que dá certo e o que não dá, e evoluem em grupo até chegar em algo que se torne uma boa música. It´s only rock’n’roll: direto, simples e instintivo.

But I like it!

De forma similar, as jam sessions são encontros entre músicos com experimentação pura. A partir de um plano básico (um tema conhecido pelos músicos), a música percorre caminhos nunca antes visitados. Com as experiências em tempo real, a banda aprende o que funciona e o que não funciona, e assim evolui. E daí saem muitas boas ideias e músicas novas.

Recomendação: Experimente! Teste rapidamente suas ideias. Tenha abertura para descartar falhas e aprenda com as “boas falhas”. Mais ensaios, mais jams, mais exposição!

Tribos

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“Para mim, ser punk é sobre ser um indivíduo e ir contra as convenções e ficar de pé e dizer ‘este sou eu’” – Joey Ramone
“Punk é liberdade musical” – Kurt Cobain
“Alguns me chamam de rebelde, mas eu sinto que estou vivendo minha vida e fazendo o que eu quero fazer” – Joan Jett

Os novos estilos são criados a partir do estabelecimento de comunidades, de movimentos. O jazz surgiu como um movimento de contestação da comunidade musical negra contra os padrões da música branca. O punk uniu jovens nos anos 70 pregando a rebeldia, a individualidade, a liberdade e se posicionando contra a sociedade convencional. O movimento grunge dominou o mundo a partir da união de diversas bandas de Seattle que desenvolveram um novo estilo baseado no punk rock, heavy metal e rock dos anos setenta, além de criar a moda grunge, cuidadosamente desleixada.

Os movimentos e comunidades fomentam o desenvolvimento colaborativo de novas ideias, a criação de identidade própria e o senso de pertencimento. Além disso, os movimentos fortalecem cada membro, amplificando os resultados individuais em um resultado comunitário muito mais forte.

Recomendação: Crie ou participe de um movimento. Faça parte de um grupo. Potencialize suas forças através de seu grupo.

Fãs

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“O que está acontecendo? Não se preocupe, é só a… Beatlemania” – repórter da Radio Scotland

Sem os fãs, nenhuma lenda do rock’n’roll seria lenda. E as bandas trabalham duro para isto, se conectando com os fãs, criando novidades para atrair o público, ensaiando muito e principalmente dando as caras nos palcos e nos videoclipes.

Os Deadheads eram um fã-clube da banda Grateful Dead que beirava o fanatismo. Eles acompanhavam a banda durante todas as turnês e iam em todos os shows. Por causa dos Deadheads, todo show do Grateful Dead tinha uma platéia muito entusiasmada. Eles tinham uma enorme admiração pela banda e principalmente se sentiam parte daquele movimento.

Hoje em dia, bandas como Pearl Jam ou Rolling Stones entendem esta busca dos fãs por pertencimento e fazem o público ajudar a montar as playlists dos seus shows.

Recomendação: conecte-se com seu público. Crie seu “fã-clube”. Apareça. Mostre o que você está fazendo, o que está criando. Faça seu público participar do processo criativo.

Outras Tribos

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“Os rappers odiaram a ideia. Os roqueiros (…) não sabiam o que fazer. Mas em um domingo de Março de 1986, eles se encontraram em um estúdio para criar o que iria se tornar uma das mais importantes músicas da era pop.” – Geoff Edgers, The Washington Post

Em 1986, Rick Rubin, um rapaz branco de 22 anos que produzia discos de rap, teve uma ideia maluca: ele recrutou Steven Tyler e Joe Perry, da banda Aerosmith, para colaborar no novo álbum do grupo de rap Run DMC em uma nova versão de seu hit de 1970 “Walk This Way”. Naquela época, as tribos eram bastante isoladas umas das outras e havia um grande preconceito sobre uma união deste tipo. De um lado, o Aerosmith tinha receio de que seu público reprovasse esta mistura. Por parte do Run DMC, ocorria o mesmo: como o público de rap, àquela época majoritariamente negro, iria reagir com uma mistura musical com ícones da música branca americana?

O resultado foi incrível, criou uma repercussão enorme e pairava no ar aquela sensação de “porque não pensei nisto antes?”. Foi criada uma conexão inesperada entre tribos que não se conversavam, e este encontro influenciou toda história do rock com o surgimento de um novo e inovador estilo, o funk rock, posteriormente representado por bandas como o Red Hot Chili Peppers.

Recomendação: conecte-se com outras tribos. Busque conexões e parcerias com outros grupos e com outras áreas de conhecimento. Saia de seu ambiente de confiança e de sua zona de conforto, potencialize novas e inusitadas conexões.

BIS

Busque conexões inesperadas | Experimente | Faça parte de um grupo | Conecte-se com seu público | Conecte-se com outras tribos.

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It’s a long way to the top if you wanna rock ‘n’ roll!

 

 

 

 

Para maiores informações, leia o White Paper da Overdub sobre Os Três Pilares da Transformação Digital:

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