Se você quer transformar sua empresa para ser mais ágil e tecnológica, não crie squads.

O vídeo “Cultura de Engenharia Spotify” apresenta como a empresa cresceu e expandiu sua estrutura sem prejudicar seus princípios ágeis, como multidisciplinaridade, autonomia e comunicação. Este vídeo teve um impacto muito importante, e diversas empresas de diversos setores estão utilizando o modelo de squads apresentado como referência para criar estruturas organizacionais mais adaptativas, velozes e enxutas.

No meu curso de Transformação Digital eu apresento o case do banco ING, que utiliza a referência do Spotify para criação de squads ágeis e autônomos para transformar o tradicional setor bancário.

Percebo claramente que este movimento está ganhando força no Brasil. Empresas de diferentes setores já me procuraram para discutir como montar seus próprios squads, guilds e chapters. Estou conversando com uma empresa de grande porte que finalizou recentemente um trabalho com uma respeitada consultoria para a sua reestruturação “a la Spotify”. E agora eles têm um grande desafio pela frente, que é implementar as orientações daqueles slides de Powerpoint que custaram uma grana preta. Tais slides foram criados por uma consultoria que está, por sua vez, também em uma jornada de transformação para se tornar mais ágil e adaptativa.

Entendo que este movimento tem uma certa similaridade com a onda de reengenharia que estourou nos anos 90. Com uma busca de racionalização das operações utilizando tecnologia, terceirizações e enxugamento de estruturas, muitas empresas enfrentaram efeitos colaterais adversos, como perda de eficiência e sinergia. O processo de transformação atual possui também riscos similares se for conduzido somente com foco em redução de estruturas hierárquicas (e consequente redução de custos).

Antes de reestruturar as empresas com um modelo organizacional ágil, precisamos de mais profundidade nas discussões.

Primeiramente, precisamos responder à pergunta: Por que transformar? As empresas precisam entender o momento atual da transformação da economia e dos mercados. Precisam garantir que a liderança está realmente engajada com a transformação. Se a área de inovação ou a área de TI está conduzindo o processo de transformação e a liderança da empresa não está diretamente envolvida, entendendo as ameaças e oportunidades, não haverá nenhuma mudança relevante.

A segunda pergunta a ser respondida é: O que fazer? Envolva a empresa para discutir e criar uma nova visão de modelos de negócio, novas fontes de receita, novas formas de atuar no mercado e se diferenciar da concorrência. Pense grande. Divulgue sua nova visão e inspire toda empresa a trabalhar em busca daquele novo sonho.

Em seguida, precisamos responder à seguinte pergunta: Como? Como transformar a empresa a partir da minha visão de transformação? Como a empresa está estruturada? Quais as barreiras organizacionais e culturais para criar uma nova empresa mais adaptável e inovadora? Quais tecnologias, métodos e indicadores irão suportar meu processo de transformação?

A partir desse processo de amadurecimento e aprendizado, você estará pronto para discutir a implementação de estruturas ágeis e a adaptação cultural da empresa. O modelo de squads, chapters e guilds é um bom framework de organização ágil, mas não é uma receita de bolo, não é infalível e não irá resolver todos os seus problemas, devendo ser adaptado para a realidade de cada empresa.

Resumão: não crie squads. Garanta o engajamento da liderança, e depois de toda a empresa. Crie uma visão inspiradora a ser perseguida. Avalie como fazer a mudança organizacional e cultural, bem como utilizar a tecnologia para alcançar esta visão.

Pintura: 17th Lancers at Balaklava, Charge of the Light Brigades, Crimean War- por Chris Collingwood

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