Eu tenho uma confissão a fazer: eu ouvia muito Bon Jovi quando era adolescente. Na verdade, era bem mais do que isso: eu fazia parte de uma banda de rock farofa, e a gente adorava tocar Bon Jovi.

banda alquimia

Ensaio da banda no início da década de 1990

Desde a minha adolescência, sou um apaixonado por música, e este era o tempo do vinil. Nessa época, eu comprava um LP por mês (sempre que dava). O LP tinha que ser muito bem escolhido, pois era a chance do mês. Saía caro errar. A gente ia para a loja de discos e ficava ouvindo algumas faixas, trocava de disco, tentava outro, até tomar coragem e levar um. Um amigo meu tinha a discografia completa do Led Zeppelin, e isso para mim era o máximo, algo quase inalcançável. O Led Zeppelin lançou 8 discos. 

O LP era nossa matéria prima para tirar as músicas que a banda iria tocar. Se o disco tivesse encarte, o problema das letras estava resolvido. Senão a gente tinha que tirar a letra no ouvido, com nosso inglês de colégio. Quanto à música, a gente tinha sempre que tirar de ouvido mesmo. Não tinha outra forma. Com certeza nossa banda cantou e tocou muita coisa errada sem ter a menor ideia disso. 

Eu morava em um bairro um pouco afastado, e naquela época eu não tinha carro. Na verdade poucos amigos tinham carro. O negócio era pegar ônibus, quando dava sorte tinha alguma carona. Táxi nem pensar, muito caro. E lá ia eu, esperando no ponto do ônibus com instrumentos e equipamentos na mão. 

Eu tinha uns amigos mais atirados, mas eu era um rapaz muito tímido com as meninas. Nas festinhas, eu travava e não conseguia puxar uma boa conversa. Demorei um bocado para entender como as coisas funcionavam e tomar coragem. E, como em todo processo de aprendizado, quebrei muito a cara. 

Passadas algumas décadas (algumas décadas!!!), vamos analisar a realidade de um rapaz de 17 anos hoje, com interesses similares aos da minha adolescência. Este jovem já nasceu digital. Na sua infância, todo mundo já tinha smartphone, todos já estavam conectados. 

Se ele quiser escutar uma música, qualquer que seja, ele tem acesso imediato no Spotify ou no Deezer. Se ele tiver interesse na discografia do Led Zeppelin, ele tem acesso completo a imediato a todas as músicas, inclusive os discos raros, faixas bônus e raridades. 

Se ele quiser aprender a tocar uma música, ele tem dezenas de pessoas do mundo inteiro disponibilizando aulas gratuitas no Youtube. 

Se ele quiser saber a letra da música, ele acessa imediatamente um site de letras ou de cifras. 

Este jovem provavelmente não tem aquele desejo de ter um carro que eu tinha na minha época. Talvez não seja mais uma prioridade. Ele não depende de carona nem de ônibus, o Uber e os demais aplicativos permitem um deslocamento rápido, barato e confiável. 

As chances de sucesso com as meninas aumentaram muito para os rapazes de hoje. Eles lidam de forma muito diferente com as rejeições. Se o rapaz gostou da menina, marca no Tinder e vê se deu match, sem grandes riscos de levar um fora. 

Este adolescente lida de uma forma completamente diferente com um conceito clássico dos negócios: a tríade custo x qualidade x prazo. 

Triade custo-prazo-qualidade

A escola tradicional dos negócios nos diz que se você mexer em um vértice, vai alterar pelo menos outro vértice. Se você melhorar a qualidade, vai aumentar ou o custo ou o prazo. Se você reduzir o prazo, vai aumentar o custo ou piorar a qualidade. 

Esta nova geração não consegue entender com clareza esta tríade. Quando acessamos o Waze, por exemplo, temos acesso gratuito e imadiato a uma solução de navegação que utiliza algoritmos avançados de pesquisa operacional e análise de dados. A tríade custo-qualidade-prazo é completamente desvirtuada por uma pressão de mercado para novos e inovadores serviços e produtos quase de graça / quase perfeitos / quase imediatos.

Triade custo-prazo-qualidade (1)

Toda a nova geração tem um perfil completamente diferente de usuários e consumidores. Uma geração de impacientes, exigentes e seletivos. Eles pensam muito mais onde vão gastar seu dinheiro, pois a digitalização traz a desmaterialização dos produtos, e consequentemente o barateamento dos produtos e serviços digitais em relação às ofertas tradicionais. Eles têm à mão soluções extremamente sofisticadas, completas e fáceis de usar, e não se contentam com produtos e serviços medianos. E eles não estão acostumados a esperar. Querem tudo o mais rápido possível. 

Essa geração será o perfil típico de consumidor nos próximos anos. Um consumidor que quer que qualquer produto ou serviço seja tão prático e rápido quanto um aplicativo do celular. Um consumidor que não aceita desculpas, demora, inconsistências ou preços altos. 

Essa é a verdadeira urgência da transformação digital. 

Se você trabalha em um negócio B2C (Business To Consumer), estes novos clientes estão chegando. Seu negócio precisa se adaptar, e rápido, e saiba que se você não fizer alguém vai fazê-lo. 

Se você trabalha em um negócio B2B (Business To Business), a ligação não parece ser tão direta, mas é. A nova geração de impacientes, exigentes e seletivos serão seus clientes corporativos, e também farão parte das suas equipes e irão fazer parte das gerências e diretorias. 

A transformação digital se torna imprescindível para qualquer negócio quando entendemos o impacto do comportamento das novas gerações no consumo de produtos e serviços e no mercado de trabalho. Endereçar genuinamente essa mudança não é uma opção, é uma questão de sobrevivência. 

Finalizo aqui com mais uma confissão: eu ainda ouço Bon Jovi. Agora no Spotify.

 

Transformação digital abrangente e acessível. Saiba mais em https://roadmapdigital.com.br


0 comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *